domingo, 28 de junho de 2015

Confiram as imagens do ensaio da peça Cidade Cega


Descrição da foto:

Fotografia em preto e branco de um ensaio da peça Cidade Cega. Seis pessoas ( dois homens e quatro mulheres) de mãos dadas formam uma roda em uma sala com cadeiras vazias. A imagem é refletida em um grande espelho que há na sala. Fotografia de Victor Hugo Sá
 — em Escola de Teatro UFBA.


Descrição da foto:

Fotografia em preto e branco de um ensaio da peça Cidade Cega. Na imagem está um grupo de cinco pessoas (três mulheres, Val na parte esquerda da fotografia, Cristina ao fundo e Milena Flick com os olhos vendados; e dois homens, Carlos Alberto Ferreira, ao lado de Milena, e Cláudio próximo a parede) andando em círculos em uma sala vazia. Fotografia de Victor Hugo Sá
 — em Escola de Teatro UFBA.



Descrição da foto:

Fotografia em preto e branco de um ensaio da peça Cidade Cega. Na imagens estão dois homens: o primeiro, Cláudio, ator/performer de cerca de 50 anos está abaixado e com os braços erguidos, o segundo,Carlos Alberto Ferreira, homem tem cerca de 30 anos é o encenador (diretor) da peça e está de pé, orientando o trabalho corporal do ator. Fotografia deVictor Hugo Sá
 — em Escola de Teatro UFBA.



Espetáculo performático Cidade Cega estreia em Salvador


Projeto propõe ao público  ampliar e refletir sobre as possíveis cegueiras; texto é  inspirado nas Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, e a peça Os cegos, de Michel de Ghelderode e Maurice Maeterlinck.  


Experenciar a Cidade sob uma nova ótica é o desafio do espetáculo performático Cidade Cega, que estreia na Praça do Campo Grande no dia 17 de julho.  A proposta é que o público, que também será participante,  possa perceber a Cidade além do sentido da visão e ampliar, com isso, a sensorialidade sobre a cidade.  O que resta da Cidade sem a visão? Cheiros, sabores,  tato, audição e um elemento extra: a confiança. “Queremos conquistar a confiança dos participantes da performance, pois durante todo o tempo eles estarão com olhos  vendados e guiados por nós. Só vai sentir quem se permitir”, alerta  Carlos Alberto Ferreira, encenador que idealizou a performance teatral a partir de sua pesquisa de doutorado na Escola de Teatro da UFBA.  


Na condução desse espetáculo estão cinco atores do grupo de teatro Noz Cegos, formado por deficientes visuais, além de uma atriz vidente, Milena Flick.  A experiência de participar do espetáculo performático é gratuita, a cada exibição são disponibilizadas 20, 10 para inscritos presenciais e a outra metade para inscritos na plataforma do blog cidadecega.blogspot.com.br.    

Descrição da foto:

Fotografia em preto e branco de um ensaio da peça Cidade Cega. Uma fileira de quatro pessoas (na frente Cristina guiando o grupo, atrás Gilson Ferreira, em seguida, Val e, por fim, Rutiara que está com os olhos vendados e é a última da fila. Em outra direção, Milena Flick caminhando em sentido contrário das outras pessoas. Fotografia de Victor Hugo Sá
 — em Escola de Teatro UFBA.
“O espetáculo se propõe a pensar a cegueira de uma forma amplificada e poética. É cego aquele que não ver ou é cego aquele que se recusa a enxergar uma pessoa ao lado e ignorar a realidade? O que é de fato o resultado de uma cegueira?”, questiona Carlos Alberto. O texto é inspirado nas obras literárias Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago, e a peças Os cegos, de Michel de Ghelderode e Maurice Maeterlinck, sendo estas responsáveis por criar uma dramaturgia em que atores e público constroem conjuntamente uma intervenção urbana no Centro de Salvador.


As narrativas são conduzidas por atores/performers que vão guiar estimular os participantes (que estarão com os olhos vendados) a vivenciar e construir uma experiência a partir da ampliação dos demais sentidos, para além da visão, construindo um sentido metafórico da Cidade, onde as emoções  e sessões de público também serão também elementos dramatúrgicos do espetáculo. 
Descrição da foto:

Fotografia em preto e branco de um ensaio da peça Cidade Cega. Seis pessoas ( dois homens e quatro mulheres) de mãos dadas formam uma roda em uma sala com cadeiras vazias. A imagem é refletida em um grande espelho que há na sala. Fotografia de Victor Hugo Sá
 — em Escola de Teatro UFBA.
Integração é mais que inclusão

Em torno de 30 artistas participam da  intervenção urbana,  sendo a maioria deficientes visuais.  Além dos cinco  atores do  grupo Noz Cegos, também participam alguns integrantes do Coral do CAP (Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual) . A inclusão desses artistas, no entanto, não é a causa do espetáculo, e sim uma consequência, pois com o tema cegueira em mãos, o  encenador percebeu que atores videntes ou cegos poderiam causar o mesmo impacto final. Porém, Carlos Alberto Ferreira  preferiu optar pelo desafio artístico de integrar artistas videntes e  deficientes visuais que carregam em si a inquietação de compreender a cidade de uma maneira mais investigativa e sensorial.

“Não somos cegos atores, somos atores cegos”, sintetiza o ator Cláudio Vilas Boas,  que já participou de outros espetáculos teatrais e se mostra ansioso com a reação do público, que dessa vez terá a oportunidade de se concentrar em outros sentidos para experienciar uma obra artística.  Para Claúdio, outra diferença marcante, é que a performance não foca apenas  nas dificuldades de inclusão dos deficientes visuais, mas sim nas dificuldades de qualquer cidadão.
O projeto Cidade Cega foi um dos contemplados no edital FUNARTE Artes na Rua 2014 e conta com o apoio da Escola de Teatro da UFBA.  

Serviço
O que: Cidade Cega
Quando: de 17 a 26/julho sextas, sábados e domingos, às 19h (inscritos devem chegar às 18h) e sessões extras às 20h nos sábados (18 e 25/07)
Onde: Praça do Campo Grande, Salvador
Quanto: Gratuito (inscrições prévias através cegacidade@gmail.com)


Assessoria de imprensa/ Freeda Comunicação 
Rebeca Bastos (71) 8511 3892 / 9319 5413

Juliana Souza (71) 9399-5857

domingo, 21 de junho de 2015

Experiência do dia 02 de junho, Campo Grande, e Relato de Experiência


Um começo...

Alguns dias atrás, no dia 02 de junho, o espetáculo performático Cidade Cega realizou a primeira experiência com os alunos da turma da professora Lilith Marques, na disciplina Dicção I, da Universidade Federal da Bahia. Esse encontro instaurou uma relação de confiança e de desejo entre as pessoas que aceitaram participar desta vivência de andar com os olhos vendados. Sentir? Refletir? Pensar? Questionar?

Talvez sejam essas as perguntas/palavras para tentarmos expressar uma noção de Cidade. De nos sentirmos como parte deste fenômeno da urbanização. Quantas cidades desiguais, os perigos, as responsabilidades, os desafios, mas, também, um lugar do encontro, do inusitado, dos seres. A via maior desse projeto é buscar um meio de fazer que percebamos que a cidade é uma conjugação plural.

Apesar dos inúmeros singulares que existem pela urbe, a cidade é sem dúvida, um efeito de um coletivo, de sujeitos e estruturas que compõem esse labirinto urbano. Abaixo os relatos das pessoas que participaram e se entregaram à experiência urbana, cujo objetivo é experimentar. A razão está no sentir os objetos, mas também a si próprio; reflexão através da experiência do agora; resposta de um questionamento da ação, pois pensar sobre, torna-se um elemento de algo acontecido.

Enfim, essas vivências são aperitivos de algo que estamos preparando para julho.


Relato de Experiência:

Relato 1:

Cidade Cega, um bom nome para nomear uma das percepções que tive ao viver o experimento com os atores cegos do elenco do projeto “Cidade Cega” no dia 02 de junho. Eu e mais seis pessoas vendadas, fui conduzida por um homem cego, Gilson, pelas ruas do Campo Grande e Canela, em Salvador. Não faço ideia de quanto tempo durou a experiência. Tempo e espaço foram dimensões que se diluíram, ou melhor, se transformaram na minha percepção da experiência sensível; perdi noções rotineiras de tempo-espaço, para ganhar outras. Percebi que sou cega para um monte de outras formas de experienciar a cidade de Salvador, como o contato com o piso, por exemplo. Os sons e cheiros, o ar... a percepção da umidade do ar! Nossa foi como se estivesse pela primeira vez vivendo a experiência de caminhar na rua. Contudo também refleti muito sobre as condições dos cegos, como nossa cidade de Salvador está mal preparada para receber os deficientes visuais. Tive ainda uma experiência incomun, quando uma pessoa da produção se juntou à fila que eu estava e começou a imitar uma pessoa da rua. Pensei mil coisas, que era um mendigo bêbado ou que era um adolescente tentando tirar sarro de nós. Percebi então como (na rua) as relações humanas são jogadas às escuras ao estabelecer um vinculo imediato de confiança com o outro; contudo, nós que enxergamos temos ao menos a imagem física, visual, de nosso interlocutor para avaliar se confiamos ou não nele, o cego (na rua), não tem nada mais do que a voz e a informação que a pessoa está passando sobre ela mesma; ou seja, para o cego, relacionar-se no âmbito público com estranhos é um grande ato de confiança no ser humano. Me impressionou muito isso. Cidade Cega é uma proposta artística revolucionária no mundo dos sentidos, cada um precisa vive-la para tirar as próprias conclusões!

Lilith Marques, professora da UFBA, atriz do Grupo Panacéias Delirantes

Relato 2:

Nunca tinha visto a cidade do jeito que vi estando 'cega'. Não imaginava como o barulho dos carros poderia ser aterrorizante, quando não se pode ver para onde eles estão indo. Nunca pensei que descer um passeio para atravessar uma rua pudesse ser como cair de um abismo em direção ao desconhecido. Mas a segurança e a suavidade das palavras da nossa condutora Cristina me deram mais confiança para continuar a caminhada até o Campo Grande. Tudo era novo e, em minha mente, eu estava criando
os caminhos por onde passava. Foi muito revelador ser conduzida por uma cega, desconstruir muitos conceitos equivocados sobre como eles deveriam se sentir na rua sozinhos. O mais emocionante foi quando, no final do trajeto, sentados no banco da praça, ouvimos as palavras de Cristina: 'Abram os olhos, vocês deixaram de ser cegos'. Foi como um renascimento para a forma como eu vejo e vivencio o mundo ao meu redor. Inesquecível!


Siomara Coelho, aluna da UFBA.

Vídeo Depoimento

O vídeo abaixo é com Cláudio Marquês, o ator/performer relata sobre sua experiência, sobretudo, discursando um pouco do que é o Cidade Cega!




Vídeo Depoimento



O vídeo depoimento desta vez é com Rutiara Santos:



terça-feira, 9 de junho de 2015

terça-feira, 2 de junho de 2015

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ensaio/Intervenção



O espetáculo/performático Cidade Cega, que tem data de estreia para o dia 17 de julho de 2015, está realizando suas experiências no Largo do Campo Grande e na Praça Campo Grande, Salvador – Bahia. 


No último sábado, 30 de maio, realizamos um ensaio/intervenção. Nossa montagem tem como objetivo provocar o uso dos sentidos em uma vivência pelas ruas de Salvador. E foi nessa provocação que um casal de senhores participaram conosco. 


Foi incrível o relato da senhora, falando o quanto é difícil andar por uma cidade com vendas. Além disso, falou sobre a importância da experiência.

O trabalho conta com narrativas e vivências que são conduzidas por cegos, buscando em si um deslocamento sobre a compreensão de cidade. As experiências que o Cidade Cega está trazendo para discussão, visa sobretudo um encontro de diferentes pessoas. Pois, todo mundo tem direito a vida e todo mundo tem direito igual. Será? 

Perguntas como esta faz parte dos nossos encontros. Então, esse espaço do blog é um lugar para compreender essas fissuras que fazem parte da cidade.


Abaixo algumas fotos do processo. Se interessou? Curta nossa página no Facabook. Dúvidas, entre em contato conosco para maiores informações.  Fiquem atentos, pois em breve informaremos sobre o processo de participação do espetáculo.



 No Largo do Campo Grande, Salvador - Bahia. Um casal com os olhos vendados e Rutiara, guiando-os durante o ensaio. Foto: Carlos Alberto Ferreira


Sentados na calçada da esquerda para direitra. Cristina, Cláudio, Val e Léo. Todos estão fazendo... sabe o que é? Não? Ah, vá no dia 17, 18, 19, 24, 25 ou 26 e você descobrirá. 
Foto: Carlos Alberto Ferreira

Gilson e Milena tocando uma árvore no Largo do Campo Grande. 
Foto: Carlos Alberto Ferreira

Foto tirada do outro lado da rua, ao fundo, Gilson, Dadiele, Milena e Cláudio, todos sentados no chão da calçada. Foto: Carlos Alberto Ferreira